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Livros & Reticências: |Resenha| A Guerra que Salvou a Minha Vida - Kimberly Brubaker Bradley

|Resenha| A Guerra que Salvou a Minha Vida - Kimberly Brubaker Bradley

resenha a guerra que salvou a minha vida de Kimberly Brubaker Bradley

Olá, tudo beleza por ai?

Recentemente, surgiu a oportunidade de fazer um projeto na faculdade sobre doação de livros. Porém, o projeto não tinha, necessariamente, que ser efetivado, mas um plano teria que ser feito. Nisso, vi que poderia espalhar o hábito de leitura na cidade de Salvador, porém o tempo ficou curto e o projeto acabou ficando apenas no papel (por enquanto). 

Mas, a Darkside Books já tinha topado me ajudar nessa empreitada e acabou me enviando os livros A Guerra que Salvou a Minha Vida, Só os Animais Salvam e Frankenstein
Apesar de o projeto não ter sido efetivado, ficou muito feliz em saber que a Darkside, mesmo com tanto custo editorial para produção de um livro de muita qualidade, não hesitou em compartilhar as caveirinhas com meu povinho baiano. 

Conversamos, e a moça do marketing permitiu que eu lesse e resenhasse para vocês! 

Muito Obrigado DARK <3 

resenha a guerra que salvou a minha vida de Kimberly Brubaker Bradley

Então, a discussão de hoje, será sobre o grande livro A Guerra que Salvou Minha Vida da autora americana Kimberly Brubaker Bradley.


Ada é uma garota inglesa que vive em um apartamento em Londres, junto com seu irmão Jaime e com sua mãe, que é sempre tratada como A Mãe. Ada nasceu com pé torto, e isso privou a garota de viver. 

Mas, calma, não foi a deficiência, e sim a Mãe... Por ter vergonha de que vissem que ela tinha uma filha com pé torto, a Mãe nunca deixou Ada sair do apartamento, e sempre que podia estava humilhando e maltratando a garota. 

Ada sempre foi destituída de tudo. Seu irmão Jamie, sempre pôde sair para rua e brincar com os amigos, mas Ada só tinha direito a uma cadeira embaixo da janela, para que ela olhasse a rua, e apenas imaginava como era a vida lá fora a partir das coisas que seu irmão lhe contava. A Mãe tinha um ódio visível pela filha, sempre a deixava com fome, privava de banhos, e sempre colocava a menina de castigo no armário úmido embaixo da pia. que era cheio de baratas, e Ada passava a noite lá. 
Jamie poderia ir á escola. Ada não. Um dia depois da escola, Jamie dá a noticia de que as crianças seriam evacuadas para viver com outras pessoas nos interiores, já que eram lugares seguros. Porém, a Mãe não está nenhum um pouco preocupada com a integridade dos filhos, e consola a filha dizendo que ninguém a acolheria com aquele pé horrível. 

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Londres, 1939, inicio da Segunda Guerra Mundial. A capital da Inglaterra poderia ser bombardeada pela Alemanha á qualquer momento, por este motivo todas as crianças londrinas foram evacuadas para um interior chamado Kent. 
"A Mãe não estava brincando. Mas, por outro lado, eu também não."
Ada vê na evacuação uma oportunidade de mudar de vida, e decide com seu irmão, fugir para o trem que os levariam á nova vida. Eles conseguem e chegam á Kent. Lá, todas as crianças são dispostas em uma grande sala para que os moradores do vilarejo viessem e escolhessem o evacuado a quem dariam um lar temporário. Devido a desnutrição, mau cheiro e roupas desgrenhadas, Jamie e Ada ficam por último. 

A professora-chefe, praticamente obriga a jovem senhora Susan Smith a ficar com as crianças, e depois de muita relutância, a moça aceita acolhê-los. 

Apesar da rabugência inicial, a senhora Susan, trata as crianças de forma muito boa e cuida deles como se fossem filhos. Susan não é casada, e muito menos tem filhos, sua unica companhia, por muito tempo, foi sua melhor amiga que morreu. A senhora agora vive do dinheiro que a venda dos cavalos de Beckie lhe rendeu, e não sabe como cuidar de crianças. Mesmo assim, Susan dá as crianças, comida, roupas, banho, cama, carinho e esperança. 

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Ada, traumatizada com os maus tratos da Mãe, anda sempre desconfiada e esperando a hora de que a máscara de Susan vai cair e ela vai lhe espancar e prender no armário. Ela vive com a certeza de que é um ser humano bizarro e que merece ser espancada, humilhada e escorraçada de todos os lugares que frequenta. Já Jamie, vive como uma criança comum, e vez ou outra sente saudades da Mãe. 

"Não reclamava de ficar tanto tempo dentro de casa, desde que o Jamie estivesse junto. Mas, á medida que ele foi crescendo, passou a querer brincar na rua, ficar com as outras crianças.
E porque não? - falava a Mãe - Ele é normal ."

Ada reconhece que não faz parte da família,e sabe que é um lar temporário. Por isso, a menina tenta viver sem dá nenhum trabalho á Susan, e isso seria bom, se não fizesse parte da síndrome do pânico pós traumático que a garota enfrenta. 

"Eu tinha tanta coisa boa (...) mas tudo isso era temporário. Só até a Mãe chegar para nos buscar. Eu não ousava me acostumar com nada."

Susan percebe a situação que Ada vive e passa a ajudar a garota a vencer o pânico com simples ações que vão mudando aos poucos a vida dela. A partir disso, o livro vai se tornando uma troca de amores,onde as crianças dão a Susan uma nova razão para viver e ela concede aos irmãos o amor e a esperança que a Mãe roubou deles. 

Além disso, Ada encontra o pônei Manteiga, que terá grande participação no processo de mudança da garota.

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O livro A Guerra que Salvou Minha Vida é narrado em primeira pessoa pela protagonista Ada. Em suas 234 páginas, ele traz uma lição sobre amor, superação e companheirismo. A obra traz uma nova perspectiva sobre a Segunda Guerra Mundial, não para romantizar a grande guerra, mas para mostrar como momentos de dor podem unir pessoas de bem. 

A relação que as crianças constroem com Susan, apesar da quedas, é de um intenso amor e gratidão. Por muitas vezes, eu quis socar a cara da Ada pela rispidez dela, e demorei para entender que tudo fazia parte de uma construção desde a sua infância, que foi conduzida pela pior personagem na trama, A Mãe. 

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A Mãe é um ser nojento e cruel, tive vontade de pisar no pescoço dela. E Ada, com certeza, ficaria igualzinha a ela, se não mudasse de vida, já que era o único referencial de ser humano que ela tinha.

Um livro que com certeza causa revolta, por todas as coisas que a protagonista sofreu por causa do seu pé torto, além disso, em uma das consultas que Susan leva a Ada, o médico informa que se o problema tivesse sido tratado na primeira infância seria facilmente resolvido, mas agora precisa de intervenção cirúrgica, graças a negligência da Mãe. 

Ao iniciar a leitura, fiquei imaginando que fosse uma leitura pesada e demorada, mas para minha surpresa, terminei na mesma noite. Que escrita fluída dessa mulher, adorei! 

O ambientação é muito característica da Segunda Guerra Mundial, e a todo momento ouvimos falar de aviões, soldados, navios, bombas, sirenes e Hitler... Coisas da Guerra. 

Realmente, foi um livro que me cativou, e com certeza, está na lista de melhores do ano. PISA MENOS, KIMBERLY <3 

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A edição da Darkside está, como sempre, um luxo! A capa imita uma colcha de patchwork com retalhos e a diagramação está cheia de botões e linhas, coisas que tem muito a ver com a história. Na quarta capa, temos uma estampa de ramalhetes de lavanda, o cheiro preferido da Ada, e a outra folha (não sei o nome) está com o nome do livro escrito várias vezes com uma tipografia cheia de arabescos. Além disso, tem algumas fotos relacionadas com a guerra. 

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O livro A Guerra que Salvou a Minha Vida tem uma história incrível com uma lição emocionante e uma edição impecável. 
Recomendo á todos que desejam gritar: GOOD BYE, HITLER junto com a Ada, Jamie e Susan, rindo, logo depois, com um abraço caloroso. 

resenha a guerra que salvou a minha vida de Kimberly Brubaker Bradley
Titulo: A Guerra que Salvou a Minha Vida
Autora: Kimberly Bradley
Editora: Darkside Books
Páginas: 234
Veja: Skoob
Sinopse: Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando. Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor. Kimberly Brubaker Bradley consegue ir muito além do que se convencionou chamar “história de superação”. Seu livro é um registro emocional e historicamente preciso sobre a Segunda Guerra Mundial. E de como os grandes conflitos armados afetam a vida de milhões de inocentes, mesmo longe dos campos de batalha. No caso da pequena Ada, a guerra começou dentro de casa. Essa é uma das belas surpresas do livro: mostrar a guerra pelos olhos de uma menina, e não pelo ponto de vista de um soldado, que enfrenta a fome e a necessidade de abandonar seu lar. Assim como a protagonista, milhares de crianças precisaram deixar a família em Londres na esperança de escapar dos horrores dos bombardeios. Vencedor do Newbery Honor Award, primeiro lugar na lista do New York Times e adotado em diversas escolas nos Estados Unidos.



Um comentário:

  1. Já ouvi falar desse livro mas o sinopse dele não tinha chamado muito a minha atenção, ao contrário do seu resumo do livro que conseguiu despertar o meu interesse. O livro parece ser bem delicado e emocionante, do tipo que desperta vários sentimentos no leitor... gosto disso.
    Ótima resenha! :)

    Epílogo em Branco

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